quinta-feira, 30 de outubro de 2014

O muro de Berlim

Nesse momento em que se fala tanto em erguer um muro, vamos revisar brevemente a história do Muro de Berlim.

Com o final da Segunda Guerra Mundial - ou seja, a derrota da Alemanha e vitória dos aliados (EUA, França, Inglaterra mas igualmente União Soviética) - , Berlim foi dividida em 4 setores de ocupação, um para cada um desses quatro paises, mas a URSS ficou com a metade enquanto os outros 3 paises com a outra metade (o papel da antiga URSS tendo sido decisivo nesse lado da Europa para a vitoria doa Aliados).

Porém a fragilidade das relações entre os países do ocidente e a União Soviética fez com que essa divisão se passasse bem mal. "Isolados", os moradores de Berlim Oriental passaram fome e frio (sem energia), tiveram seus meios de comunicação cortados. Em 1961 foi construído o Muro, que só foi destruído em 1989.

No início se tratava de um muro só, mas em 1972 foi erguido um segundo, mais reculado, e entre os dois um vazio com arame farpado, torres de controle, minas e cachorros. 

Porém se naquela época o muro do lado ocidental já era coberto de "grafites" (que desaparecem com o tempo), do lado oriental ele continuava cinza (como toda Berlim Oriental, aliás) para facilitar o trabalho de controle. 

Da sua estrutura original resta muito pouco.

Atualmente, a parte mais longa, de 1,3km é o que hoje se chama East Side Gallery, onde 118 artistas (street art) de 21 países diferentes foram convidados a se expressar após a queda do muro. Infelizmente esse tipo de pintura não resiste muito assim exposta ao sol, chuva e outras condições climáticas, além de sofrer muito a ação dos turistas, que por alguma razão que escapa ao meu entendimento, querem deixar uma marca nessa história da qual não participaram, não ajudaram a construir nem desconstruir.











Fico muito triste quando vejo alguém estragando o patrimônio dos outros, na verdade triste nem é a melhor palavra, pois fico realmente irada!

Também podemos visitar o Memorial do Muro, com fios de ferro onde antes se encontrava o muro e 300 metros do verdadeiro, que sobreviveu e hoje é Munumento Histórico graça ao Pastor da igreja que ali se encontrava e que foi destruída por estar muito próxima da zona limítrofe. No seu lugar foi construída a Capela da Reconciliação.

 Vista da "fresta" do muro mais recuado: o cinza do concreto




Não muito longe da Potsdamer Platz (que antes era um no man's land), outros vestígios do muro.



E o Checkpoint Charlie, local de passagem entre os dois lados, visto e revisto em tantos filmes de espionagem! Foto de um soldado russo olhando para o oeste, enquanto um soldado americano olha para o leste.


(foto presente no local)

Você tem certeza que um muro é a melhor solução para os problemas de uma nação?

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

O que se passa nesse outono em Paris?

De uma certa forma na França o "ano" começa em setembro. Todo mundo de volta das férias de verão, mais ou menos bronzeados, é o período em que começa o ano letivo, novos projetos, tudo.

E do ponto de vista cultural, é um novo recomeço! Lançamento de livros, discos, novas grandes exposições, peças de teatro.

São centenas de livros lançados esse ano, e as editoras não têm muito do que reclamar, pois os franceses adoram ler e sabem escrever, o que comprova mais um Prêmio Nobel de Literatura, o francês Modiano.

Essa semana foi reinaugurado o primeiro andar da Torre Eiffeil après meses e meses de reformas, dotado de um solo transparente que nos dá a impressão de caminhar no vazio.

Em alguns dias será inaugurada a Fundação Louis Vuitton em pleno Bois de Boulogne, obra de um dos maiores arquitetos contemporâneos, Frank Gehry.

Em duas semanas (vamos cruzar os dedos!) o Museu Picasso reabrirá em Paris (após 5 anos de reformas) e 5 mil obras do artista serão apresentadas ao público.

E desde o início do mês podemos visitar no Grand Palais a grande exposição do artista japonês Hokusai (1760-1849), o grande mestre da "estampa". Apesar de impressionante e sua marca registrada, sua exposição vai muito além da "Grande Onda de Kanagawa". Sua obra foi descoberta na França em 1850 e desde então fascina e influencia o mundo das artes (Monet foi um grande amador de estampas japonesas e Gauguin também se inspirou fortemente do artista).

Não ficamos indiferentes à fineza de seu trabalho, seu senso de dimensões e perpectivas. Provavelmente será a última vez que essas 150 obras de Hokusai serão vistas fora do Japão, pois em 2015 deve abrir o grande Museu Hokusai no País do Sol Levante. 

E que ninguém venha me dizer que não se passa mais nada em Paris, que 2 dias são suficientes para conhecer a cidade ou que a gente se entedia no outono-inverno por aqui! :)

sábado, 11 de outubro de 2014

O que os franceses comem no dia a dia?

Os hábitos alimentares dos franceses mudam de acordo com as regiões do país, mas resolvi fazer uma seleção do que se come no dia a dia na casa dos franceses a partir do que observo por aí, das perguntas que faço e até mesmo do que vejo as pessoas comprando nos supermercados e feiras!

- Entrada
Quando falamos em "refeição francesa", pensamos direto da divisão entrada-prato-sobremesa. Eh verdade que os franceses se organizam dessa forma e ainda hoje não consigo entender como o anfitrião consegue preparar tudo, servir as entradas e logo em seguida o prato, tudo quentinho e sem dar a impressão aos convidados de que esperam uma eternidade! Quando tento fazer aqui em casa não dá certo, fico muito tempo na cozinha entre a entrada e o prato, para mim é um grande estresse.  Agora até costumo colocar tudo na mesa ao mesmo tempo, para estranhamento de muitos.
Mas isso é geralmente em ocasiões especiais, quando os franceses recebem visitas. No dia a dia, mesmo se os franceses preferem comerçar com uma "entrada", será algo bem mais simples, como um pâté, terrine, rilletes que geralmente já se compra pronto. Elas são geralmente de pato ou porco, mas podem ser de outros animais.

Também pode ser um abacate cortado pela metade e servido com um molho de saladas, tomates cerejas sem mais nada (as crianças adoram) ou então uma outra entrada muito consumida na França (mesmo se também em outros países como Itália e Espanha) no verão é melão com presunto seco. Uma delícia!

Pode ser uma salada verde, salada de cenoura ralada, salada de batata similar à nossa maionese, ou o taboulé, que se faz em casa mas que se encontra pronto em qualquer supermercado.

Também se faz muita "tarte" ou "quiche": uma massa ao fundo, coloca-se os ingredientes que desejamos (queijo, atum, champignons, legumes, etc) e tudo vai ao forno. Pode ser servida como entrada ou como prato.

-Pratos:
Sobre os pratos, existem alguns que são os "clássicos das famílias francesas" e que provavelmente todo francês conhece:

- saucisse-purée: salsicha (ou linguiça) com purê de batatas. Existem diversos tipos de "saucisses", mas eu gosto particularmente da dita "de strasbourg", ligeiramente defumada, uma delícia! E o purê pode ser homemade ou então a preparação comprada em supermercado (a marca mais conhecida é a Mousline).


- Maccaroni au four: massa bem pequena que após cozida vai ao forno para ser gratinada, com molho e queijo.

Pessoalmente eu nunca tinha entendido o interesse, já que para mim a vantagem do macarrão é que ele é rápido de fazer, e se a gente faz um segundo cozimento, é um disperdício de tempo e de gás (ou eletricidade). Até que meu marido que me incomodava tanto porque "nunca mais tinha comido esse prato desde o nosso casamento" resolveu fazer algumas vezes, e não é que é bom mesmo?

- Coquilletes au jambon: um outro tipo de macarrão, com presunto. Simples, não? Quem nunca fez em casa?

 - Pâtes à la carbonara = macarrão à carbonara, como o que se come no Brasil (da receita italiana), mas o bacon é um pouco diferente. 

Bom, pelo que pude perceber os franceses consomem muito macarrão do tipo macarroni e coquillette, assim que espaguetti (para espaguetti à bolonhesa) e tagliatelles. Eu já prefiro penne, fusilli (parafuso) ou "caramujo", além de outras variedades que sempre trago da Itália, e as pessoas sempre estranham quando vem aqui em casa pois não é o tipo de massa que costumam comer em casa.

- Escalopes de poulet (ou dinde) à la crème: Peito de frango (ou peru) com nata. Simples, fácil de fazer e delicioso, basta colocar o frango para refogar em uma frigideira, acrescentar champignons e depois a nata (crème fraîche). Prefiro servir com arroz, mas muitos franceses fazer com massa ou só com pão mesmo, sem outro acompanhamento.

Já que falei do pão, é algo que realmente não pode faltar na mesa dos franceses. O pão é consumido na entrada (com os pâtés), no prato principal e ao final com os queijos. 

- O churrasco francês será geralmente com linguiças e/ou carne de porco, acompanhado muitas vezes de batata frita.

- Steak frites: Bife com batata frita, inclusive o tipo de prato que é servido em qualquer bistrot. Não confundir com a carne moida que é servida crua (steak tartare), que é muito servido em restaurantes, mas que não sei até que ponto de conseme em casa (nunca vi).

- Poulet rôti: aqui também se come frango assado, que se faz em casa ou são vendidos em açougues e outros lugares que vendem comida pronta (traiteur). 

Se no Brasil a gente pensa que o arroz e o feijão são os acompanhamentos por excelência de qualquer prato, aqui na França até se come arroz (bem menos), mas nunca o feijão da forma como o comemos. Os legumes preferidos de grandes e pequenos são vagem (haricots verts) ou ervilha-cenoura (petit pois-carottes)

Para ocasiões especiais (finais de semana, visitas), geralmente se faz um "gratin", que será 99% de batatas (cortadas em rondelas e colocadas ao forno em um prato refratário com molho bechamel e queijo para gratinar), mas também tem muita gente que faz de courgettes (abobrinha), porém nesse caso as vezes é um prato único, vegetariano.

Algumas pressoas preferem tomar uma sopa ao invés de jantar no dia a dia, mas pelo que reparei os franceses preferem os "cremes". Apos cozimento, a sopa passa no liquidificador (com creme de leite ou queijo tipo polenguinho muitas vezes). Até gosto, mas para mim não fica um prato muito "leve". Prefiro uma sopa de legumes em pedaços!

A famosa sopa de cebola é tradicionalmente servida em final de festa de casamento, la pelas 5 horas da manhã... Fora isso, nunca me serviram em um jantar, nem como entrada nem como prato (não é muito chique), mas volta e meia ouço meus colegas e familiares do meu marido dizendo que comem em casa, principalmente no inverno.

- Sobremesa:

Alguns preferem comer um queijo, outros um doce (e outros os dois).

Mesmo se existem mais de 400 tipos diferentes de queijos na França, tenho reparado que se consome muito o camembert, o brie e os queijos de cabra. Falo aqui de Paris, talvez no Sul seja diferente. Na casa de famílias francesas sempre terá na geladeira um iogurte (que se come como sobremesa no dia a dia), pode ser com sabor de frutas ou natural (com açucar ou sem).
Outras sobremesas "de verdade" muito consumidas no dia a dia e fáceis de fazer são: riz au lait (arroz de leite, ou arroz doce) e mousse au chocolat.

Em relação às frutas, come-se muita maçã em qualquer época do ano, e as outras frutas como morango, pêssego, damasco, cereja, framboesa, bergamota (mexirica), e uva de acordo com as estações. A banana também atrai muita gente, e cada vez mais!

Mas o que seria do francês se não fossem os crêpes? Pode ser sem "recheio", somente com açucar, com Nutella, geléias ou o meu preferido: caramel au beurre salé (caramelo à manteiga com sal). O mais estranho é que quando a família decide fazer "crêpes", geralmente ela "aborta" o jantar! Nenhum problema para eles se as crianças comerem a sobremesa no lugar do prato principal...
E quem vai reclamar?

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Ritmos franceses para a juventude

Jah comentei por aqui que adoro os classicos da musica francesa, inclusive as minhas cunhadas mais jovens do que eu dizem que  aqui em casa temos "gosto de velho".
Bom, mas também somos abertos às novas gerações, até mais eu do que o maridão, pois ele ainda não consegue ouvir o rap francês (ou o rap independente da origem!)

Esse verão recebemos meus sobrinhos de 10 anos aqui em casa e eles nos mostraram o que gostam de ouvir. Vamos lah para os três ganhadores:

TAL - Le Sens de la Vie
Jah tinha ouvido falar da TAL, essa cantora de origem israelense que as meninas adoram e todas querem ser como ela quando crescerem!
Talvez eu esteja enganada, mas entendo como uma "Rihanna francesa"




Maître Gims - J'me tire
Maître Gims (Mestre Gims) é um dos idolos da garotada, e isso mesmo nas melhores familias, não apenas nos bairros desfavorizados.
Nunca fui muito de rap, mas até gosto de alguns quando as letras não são vulgares nem incitando à violência. Não sou especialista em toda a obra do rappeur , mas pelo que vi ele não faz apologia às drogas nem nada disso. Além disso, adoro o clip! Bem no meu estilo, com paisagens incriveis!
Mas cuidado, "je me tire" significa "vou embora", mas em giria, que a gente não vai usar com qualquer um, por exemplo.



Black M - Sur ma route
Um outro rappeur do bem, que não fala de forma revoltada contra a sociedade... e por isso a maioria das criticas. Mas com seu primeiro disco solo de 2014 ele se tornou uma dos artistas mais populares da França!
Essa eu conhecia da academia, adoro correr com essa, acho que é bem o tipo de musica que combina com o esforço fisico!